segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Coordenação Nacional aprova resoluções sobre conjuntura e criminalização

No domingo (24), a reunião da Coordenação Nacional aprovou resoluções sobre temas importantes, entre os quais a conjuntura política  e a criminalização. Confira abaixo, as duas resoluções. As demais resoluções  serão divulgadas no decorrer da semana.  

 Resolução de conjuntura e plano de ação   A Coordenação Nacional da CSP Conlutas – Central Sindical e Popular, reunida nos dias 22, 23 e 24 de novembro de 2013, em São Paulo, após avaliação do quadro político, econômico e social brasileiro em 2013 e, a partir de elencar algumas das características mais importantes desse cenário, resolve apontar algumas conclusões, bem como tarefas mais imediatas para 2014, vejamos:  

 O ano de 2013 está marcado por uma mudança importante na situação política brasileira, notadamente a partir das mobilizações ocorridas no mês de junho e julho, onde milhares de pessoas, a juventude em sua maioria, foram às ruas exigir uma série de reivindicações dos governos de plantão, inclusive com fortes questionamentos políticos expressos na denuncia generalizada da “classe política” e, nessa conjuntura, não conseguindo visualizar uma alternativa do ponto de vista da classe trabalhadora.   

A crise econômica internacional se fez sentir com mais força em nosso país. Isso podemos identificar na queda dos índices de crescimento do PIB e, ainda que se mantenha um baixo índice de desemprego, permanece a implantação de uma política que garante a altíssima lucratividade das grandes empresas e dos bancos.   

Dilma seguiu aprofundando um modelo econômico entreguista e rentista, que também marcou os governos anteriores, com um salto nas privatizações, manutenção do superávit primário, destinação de uma imensa parte do orçamento para o pagamento da dívida pública e juros absurdos aos credores, dentre outros aspectos.  

 Já vínhamos observando elementos novos na realidade desde algum tempo. Greves longas e radicalizadas de algumas categorias, explosões operárias contra as condições sub-humanas nas grandes obras do PAC, ocupações de terrenos urbanos, mobilizações estudantis, as lutas do funcionalismo e educação básica, dentre tantos outros exemplos. Sempre atuamos buscando unificar essas lutas e dar a elas um sentido político comum contra os governos e os patrões.  

 A marcha em Brasília, que reuniu cerca de 25.000 trabalhadores de todos os cantos do país, no dia 24 de abril, foi o ponto alto desse esforço. Essa ação se deu a partir do chamado de nossa Central e das organizações reunidas no Espaço de Unidade de Ação e continha, em sua plataforma, boa parte das reivindicações levadas às ruas nas jornadas de junho. 

  Frente às mobilizações de junho, que significaram um salto de qualidade nessa situação e impactaram fortemente as mobilizações subsequentes, a CSP Conlutas atuou apoiando as ações de rua, suas reivindicações e imediatamente buscou mobilizar a sua base, de trabalhadoras e trabalhadores organizados nos sindicatos, movimento popular, estudantil e de luta contra as opressões, ao mesmo tempo em que fez um chamado às outras centrais para que colocássemos de maneira unitária nosso contingente em movimento.  

 Deste chamado resultaram dois dias nacionais de lutas e paralisações, em 11 de julho e 30 de agosto que foram mobilizações nacionais importantes, inclusive superiores a algumas paralisações nacionais das décadas de 80 e 90 em nosso país. Houve ainda dias de lutas por questões específicas, contra o PL 4330, das terceirizações, nos quais nos integramos.   O 11 de julho teve como marca uma forte paralisação de categorias operárias, em diversos estados, São Paulo em particular. A CSP Conlutas cumpriu um papel importante e, particularmente no dia 30 de agosto, quando as outras centrais tentavam uma trégua com o governo Dilma, com algumas se retirando da convocatória e outras sabotando o potencial da mobilização, assim a nossa central foi o elemento decisivo para que várias categorias paralisassem, inclusive em setores de transporte.  

 Ainda que não mais tivessem ocorrido ações multitudinárias, posteriormente tivemos inúmeras mobilizações, ocupações urbanas, bloqueios de estradas, greves e outras formas de lutas. Destacamos a greve dos trabalhadores em educação do Rio de Janeiro, que impactou a realidade nacional e ganhou destaque internacional. Diversos outros estados também tiveram greves da educação. Tivemos ainda as paralisações dos trabalhadores dos correios, bancários e petroleiros.   

A greve nacional dos petroleiros tomou um contorno políticos significativo, ao questionar a privatização da Petrobras e se enfrentar diretamente com o governo Dilma em relação ao leilão do Campo de Libra (pré-sal).  

 As mobilizações de junho obrigaram, num primeiro momento, a que o governo Dilma, em base a uma queda espetacular nos índices de popularidade, e o Congresso Nacional fizessem concessões como o aumento das verbas para educação e saúde e o fim da PEC 37, ao mesmo tempo em que Dilma lançou a proposta de um plebiscito pela reforma política, recebeu lideranças sindicais, do movimento estudantil, do Movimento Passe Livre, dentre outras iniciativas, mas, por serem medidas muito limitadas e até sem efetividade, seguiu o processo de mobilizações em centenas de cidades, por temas os mais variados possíveis, desde o Fora Feliciano, Passe Livre, contra o Ato Médico, até as reivindicações populares locais.

   Durante a Copa das Confederações ocorre um novo ato de massas em Belo Horizonte e grandes atos de vanguarda no Rio de Janeiro, na final da competição. O sentimento de que é necessário e possível lutar e até conquistar, tornou-se a tônica presente.  

 Ainda que a relação de forças mais geral na sociedade (aberta em junho) se mantenha, é fato que hoje o que existem são lutas com boa intensidade, porém com uma expressão mais atomizada, dispersas e até específicas, diferente do signo que marcou junho.  

 Os governos estão reagindo, buscando retomar uma contra ofensiva repressora, de criminalização de ativistas, lideranças populares e da juventude, em nossa opinião um ensaio do que está por vir em 2014, particularmente com a aprovação da Lei Geral da Copa, que estabelece regras de exceção durante os jogos e submete o estado brasileiro aos ditames da FIFA.     

O ano de 2014 tende a ser marcado por novas mobilizações e lutas, no entanto as organizações  políticas e sociais, que mantém relações com o capital e seus governos buscam conduzir a situação política aberta em junho para o terreno disputa eleitoral e da luta meramente economicista com o objetivo de limitar a construção de uma alternativa e direção do ponto da classe trabalhadora.  Acreditamos que essa é a caracterização fundamental que deve nortear a nossa ação em todos os nossos setores de atuação.

 A CSP Conlutas estará chamada a cumprir um papel superior numa nova conjuntura de lutas que, acreditamos, poderá ganhar novo impulso em meados do primeiro semestre, podendo se repetir, antes e durante a Copa do Mundo, as manifestações que vivemos em 2013.   Ainda que o padrão das lutas e mobilizações seja outro, o mais provável é que em 2014 tenhamos um primeiro semestre marcado por uma conjuntura de ascenso da classe trabalhadora, da juventude e dos movimentos populares. Nesse sentido precisamos, desde já, orientar a atuação da nossa Central e entidades e movimentos filiados a que se coloquem, com todas as forças, a organizar as lutas do primeiro semestre.   

Movimentações já indicam possibilidades de ações importantes de nossa classe como, por exemplo, o fato dos SPF`S que já deliberaram por antecipar a sua campanha salarial, que será lançada em janeiro e, já no início de fevereiro de 2014, ocorrerá uma primeira manifestação nacional em Brasília, a busca de unificação de campanhas salariais entre os servidores públicos de Belo Horizonte e inter-categorias de Fortaleza e do estado do Ceará ou mesmo os trabalhadores da construção civil, com o apoio de todas as centrais, que estão convocando uma marcha nacional para maio e os diversos movimentos populares também se organizam para jornadas de mobilização no primeiro semestre e durante a Copa. 

  Como ponto de apoio na construção de nossa intervenção nesse processo estão previstos para março o encontro nacional do Movimento Quilombo Raça e Classe, a assembleia nacional da ANEL e reunião da coordenação nacional, a qual deveremos dedicar maior atenção tendo em vista o quanto estes podem contribuir para a armação de nossa intervenção nos processos mais gerais, especialmente nas manifestações contra a cúpula dos BRICS.   Haverá uma disputa no interior do movimento sindical, estudantil e popular sobre as alternativas e formas de luta. 

A Via Campesina (que inclui o MST), a CUT, UNE, CMP e outros setores retomaram a proposta da presidente Dilma de realização do plebiscito, agora sob a forma de “plebiscito popular por uma Constituinte exclusiva que faça a reforma política”. Estão, nesse momento, organizando seminários nacionais e regionais e pretendem organizar grandes plenárias nos estados em 2014 e realizar o plebiscito em setembro do ano que vem. Essa proposta tem um claro conteúdo de blindagem do governo Dilma.   

Outros setores, lamentavelmente, estão realizando mobilizações e, no interior de suas lutas, justas e legítimas, defendendo os dirigentes do PT condenados no processo do mensalão. Tentam passar a ideia de que a prisão desses corruptos\corruptores é parte da contra-ofensiva bonapartista dos governos e do Poder Judiciário contra os trabalhadores e não o resultado, trágico, diga-se de passagem, da degeneração burocrática e da adaptação desses ex-dirigentes de esquerda às benesses e à corrupção que caracterizam o aparelho de estado brasileiro. 

  A maioria das centrais sindicais governistas tentarão de toda forma blindar o Governo Dilma frente às mobilizações, principalmente por se tratar de um ano eleitoral. Outras poderão localizar-se, de maneira ainda mais explícita, como braço sindical da oposição burguesa. Nós devemos denunciar este papel e, ao mesmo tempo, exigir que rompam com os governos e venham se somar às ações em defesa dos trabalhadores. 

  A CSP Conlutas e suas entidades filiadas devem seguir buscando construir a unidade o mais ampla possível com os setores dispostos a lutar em defesa das reivindicações dos trabalhadores e da juventude. Nesse sentido temos uma resolução específica que já convoca uma grande Reunião da Coordenação Nacional no mês de março de 2014 e a realização, no mesmo final de semana (em dias distintos – para possibilitar a participação dos interessados), o encontro do movimento negro e a assembleia da ANEL.   

Além dessas tarefas vamos propor, aos setores e entidades com os quais temos tido uma relação preferencial no processo de lutas de 2013, a realização de uma plenária conjunta, que dê continuidade às iniciativas comuns de mobilização e organização dos trabalhadores que temos desenvolvido. Essa proposta será levada aos companheiros e companheiras da CUT Pode Mais, Feraesp, CONAFER, CNTA e setor majoritário da Condsef.   

A partir dessa organização interna da Central, dos movimentos populares e estudantis a ela filiados e do bloco com o qual temos atuado, estamos propondo organizar uma forte intervenção na Cúpula dos BRICs e do BIRD (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que acontece em Fortaleza\CE, no final de março de 2014. Vamos também propor a todas as entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação que se envolvam na organização dessa atividade.   Buscaremos construir essas iniciativas com outras organizações que já estão se mobilizando para a Cúpula dos BRICs\BIRD, dentre elas o Jubileu Sul e o Comitê Nacional dos Atingidos pela Copa. Com essas entidades nos reuniremos já nos próximos dias para dar seguimento à organização comum das atividades na Cúpula, o que inclui a realização de reuniões, debates, um encontro durante a Cúpula e, a partir de uma plataforma unitária, uma grande manifestação pública.   

Destacamos a importância dessas movimentações pelos elementos que sinalizam seu potencial, podendo essa ação vir a ganhar peso e visibilidade na luta contra o modelo econômico aplicado em nosso país, nas manifestações e nas mobilizações que deverão ocorrer durante o ano de 2.014, em particular no período da Copa do Mundo.                                                                   No período de hoje até a realização da primeira reunião da Coordenação Nacional de 2014 a aplicação dessa resolução fica a cargo de todas as regionais e entidades filiadas, bem como da SEN, que fará os ajustes operacionais e políticos de maneira a garantir sua efetivação à luz de nosso programa e estratégia.    

Resolução sobre Criminalização    Barrar a criminalização da pobreza, das lutas e organizações dos trabalhadores e da juventude    Lutar não é crime, é direito do povo! Crime é negar os direitos do povo!   Estamos todos assistindo ao aumento da repressão e da criminalização das lutas dos trabalhadores e da juventude em todo o país. Isso se concretiza no verdadeiro genocídio praticado pela polícia contra a juventude negra e pobre da periferia dos grandes centros urbanos; na violência da repressão policial e na judicialização dos protestos, que tem gerado centenas de inquéritos contra militantes e dirigentes em vários estados.   O objetivo desta política que vem sendo desenvolvida pelos governos estaduais (PSDB em São Paulo, PMDB no Rio de Janeiro e PT no Rio Grande do Sul) e pelo governo federal (PT) visa, em primeiro lugar, conter o processo de mobilização e o crescimento dos protestos que o país vive desde as grandes manifestações de junho passado. 

Querem retomar o controle da situação que perderam em parte, com a ofensiva das massas a partir de junho, e estabilizar a situação política. Por outro lado, trata-se de uma ação preventiva, para tentar evitar que em junho que vem, na Copa do Mundo, se reproduzam os protestos que o país viveu na Copa das Confederações.   

Querem institucionalizar a repressão e a criminalização dos movimentos, transformando-a numa política de Estado, a serviço dos interesses do capital. Por isso este processo tende a recrudescer ainda mais na medida em que avança o processo da luta de classes e a polarização política aberta na nova situação vivida no país.

 É preciso que o movimento, as organizações dos trabalhadores e da juventude em geral preparem-se para enfrentar esta situação desenvolvendo, por exemplo, formas de autodefesa das organizações e das mobilizações, como vem sendo feito em várias ocupações urbanas, em Minas Gerais e São Paulo.   Mas é preciso, além disso, construirmos uma campanha política que envolva, além das organizações dos trabalhadores e da juventude, também personalidades, juristas, instituições democráticas (como a OAB), que seja um contraponto na sociedade a esta ação dos governos. 

Que se materialize em atividades políticas, materiais de divulgação, etc.   De imediato vamos buscar realizar, em São Paulo, uma ato político que seja um ponto de apoio para que se alastre pelo país esta luta. Ao mesmo tempo buscar fazer com que esta luta repercuta também dentro do Congresso Nacional (que discute neste momento uma mudança no Código Penal que aumenta a pena para pessoas processadas devido a manifestações como as que tem acontecido no país).   

Por último, é necessário que organizemos, no início do ano que vem, uma campanha política que marque, desde o ponto de vista da esquerda, os 50 anos do golpe militar de 64. Renovando e reforçando nossos protestos para que sejam esclarecidos os crimes da ditadura, para que sejam punidos os torturadores e seus mandantes, e relacionando o processo de repressão e criminalização atual, com a situação que os trabalhadores e jovens viveram na época da ditadura. 

OCUPAÇÕES DO CAMPO LIMPO RESISTEM E SE ORGANIZAM

Depois de mais de 3 semanas ocupando terrenos públicos da Prefeitura de São Paulo no Pq. Ipê e Jd. Ingá as Ocupações Dona Deda e Capadócia resistem firme na luta.
Somando as duas ocupações são pouco mais de 1000 famílias que estão em barracos de lona buscando garantir seu direito à moradia. Nesta semana, as ocupações receberam técnicos da Prefeitura para a realização de estudos de viabilidade para a construção de moradias nos 2 terrenos. 
Após reunião de representantes das ocupações com os Secretários de Relações Governamentais e da Habitação, o MTST enviou uma lista de 10 terrenos (públicos e privados) para estudos de construção habitacional. A Prefeitura se comprometeu a comprar ou desapropriar terrenos para atender a demanda do Movimento. 
Enquanto isso, as ocupações se organizam e constroem espaços coletivos. As cozinhas coletivas já foram inauguradas na Dona Deda e estão em construção na Capadócia. 
De forma organizada e combativa, o sonho de moradia de milhares de pessoas no Campo Limpo começa a se tornar real.
A luta continuará até a vitória.

MTST! A LUTA É PRA VALER!
Local da Ocupação CAPADÓCIA: Rua Alexandre Benning, s/n - Jd. Ingá - Campo Limpo
Local da Ocupação DONA DEDA: Av. Professor Oscar Campiglia, s/n - Pq. Ipê - Campo Limpo

Ruralista é condenado pela morte de sem-terra no PR

(Terra de Direitos)

A viúva o filho de Sebastião Camargo, assassinado há 15 anos, acompanharam todo o julgamento. Para Cesar Venture Camargo, filho da vítima, a decisão é uma resposta tardia: “Não vai trazer meu pai de volta, mas ele [Prochet] já vai pagar um pouco pelo que fez”. A família de Camargo está assentada em Ramilândia, região Oeste do Paraná.

“Passados 15 anos, dois extravios do processo e dois adiamentos de júri, a condenação de Marcos Prochet é um marco histórico na justiça paranaense”, é o que afirma Darci Frigo, coordenador da Terra de Direitos. Para Frigo, a condenação do estado Brasileiro na Organização dos Estados Americanos (OEA) pelo crime contribuiu decisivamente para o resultado de hoje.

Depois da condenação na OEA, o caso Sebastião Camargo passou a ser acompanhado pelo programa Justiça Plena,  que monitora e dá transparência ao andamento de processos de grande repercussão social.

O júri foi marcado por interrupções e acusações de incidentes processuais por parte do advogado de defesa, Roberto Brzezinski Neto. O juiz que presidiu o júri, Leonardo Bechara Stancioli, chegou a pedir o registro das atitudes do advogado em ata.

Roberto Brzezinski Neto é um dos advogados do ex-deputado Carli Filho, acusado de duplo homicídio, quando bateu a 190 quilômetros por hora. A defesa já havia conseguido o adiamento do julgamento do réu por duas vezes, em novembro de 2012 e em fevereiro deste ano.

Para defender Marcos Prochet, o advogado direcionou a acusação da morte do sem terra a Firmino Borracha, já condenado pelo assassinato de Eduardo Anghinone, em 1999. Prochet esteve no julgamento de Borracha e deu declarações afirmando a inocência do pistoleiro.

Outros envolvidos
Em novembro de 2012, duas pessoas foram condenadas por participação no crime: Teissin Tina, ex-proprietário da fazenda Boa Sorte, onde o agricultor foi morto, foi condenado a seis anos de prisão por homicídio simples; e Osnir Sanches, condenado a 13 anos de prisão por homicídio qualificado e constituição de empresa de segurança privada, utilizada para recrutar jagunços e executar despejos ilegais.

No dia 04 de fevereiro deste ano, o terceiro réu, Augusto Barbosa da Costa, acusado de homicídio doloso no envolvimento no caso, foi julgado e absolvido pelo júri. A maioria dos jurados reconheceu a participação do réu de forma efetiva e consciente no crime, portando arma de fogo e aderindo à mesma conduta dos demais presentes no despejo, mas assim mesmo votou pela absolvição do acusado.

No mês de julho deste ano, o Ministério Público do Paraná também denunciou por suspeita de participação no crime o ruralista Tarcísio Barbosa de Souza, presidente da Comissão Fundiária da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), ligada à Confederação Nacional da Agricultura (CNA). O ruralista é ex-tesoureiro da União Democrática Ruralista (UDR) e ex-vereador em Paranavaí pelo partido Democratas (DEM).

Entenda o caso
Sebastião Camargo foi morto durante um despejo ilegal na cidade de Marilena, Noroeste do estado, que envolveu cerca de 30 pistoleiros. Além do assassinato de Camargo, 17 pessoas, inclusive crianças, ficaram feridas.

O crime compõe o cenário de grande violência no campo vivido no período do governo Jaime Lerner no Paraná, onde aproximadamente 16 trabalhadores sem terra foram assassinados.

Intervenção federal no Mato Grosso do Sul já

Carta Aberta à Presidenta Dilma Rousseff sobre as ameaças e ataques de ruralistas contra povos indígenas 

À Presidenta Dilma Rousseff

Desde a morte de Oziel Terena, assassinado por forças policiais durante o cumprimento de uma reintegração de posse na terra indígena Buriti em maio deste ano, uma série de acontecimentos tem colocado em risco a segurança e a vida das comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul. Em sua guerra particular contra os povos indígenas, fazendeiros tem se manifestado de forma cada vez mais agressiva no discurso e na ação contra estes povos.
Estimulado por declarações violentas e preconceituosas de fazendeiros e seus representantes no Mato Grosso do Sul, o conflito chega a um estado de recrudescimento que exige de nós, organizações indígenas e indigenistas, vir a público mais uma vez denunciar a situação urgente e gravíssima dos povos originários do estado, e exigir uma intervenção federal imediata no Mato Grosso do Sul, de modo a evitar mais uma tragédia anunciada no Brasil.
Em Campo Grande, durante a invasão da sede da Fundação Nacional do Índio por 150 produtores rurais, no dia 19 de novembro, uma fazendeira gritou, dirigindo-se a indígenas que estavam no local: “o dia 30 está chegando (…), e rogo uma praga a vocês: morram. Morram todos!“. Foi aplaudida pelos manifestantes.
Dia 30 de novembro foi o prazo final estabelecido pelos produtores rurais do Mato Grosso do Sul para que o governo solucione os conflitos fundiários no estado. No entanto, prevendo que o Estado não consiga apresentar uma proposta que efetivamente dê cabo do problema – e que favoreça o segmento do agronegócio – os fazendeiros, através de suas associações, tem pública e repetidamente dado declarações como esta.
“O prazo para uma solução final é 30 de novembro. Depois disso, como já é tragédia anunciada, os fazendeiros irão partir para o confronto legítimo para defender seu direito de propriedade. E vai haver derramamento de sangue, infelizmente“, declarou o vice-presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul (Acrissul), Jonatan Pereira Barbosa, na tribuna da Comissão de Reforma Agrária do Senado Federal, no dia primeiro de novembro, conforme publicado no sítio eletrônico da entidade.
O presidente da Acrissul, Francisco Maia, no último dia 8, em reunião com 50 produtores rurais do estado, disse: “A Constituição garante que é direito do cidadão defender seu patrimônio, sua vida. Guarda, segurança, custa dinheiro. Para entrarmos numa batalha precisamos de recurso. Imagine se precisamos da força de 300 homens, precisamos de recurso para mobilização”.
Em nova reunião, no dia 12 de novembro, o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), Nilton Pickler, também veio à público corroborar a posição da Acrissul: “Estamos em uma terra sem lei, onde invadir propriedade não é mais crime, alguma reação precisa ser feita”, afirmou.
As entidades representativas dos produtores rurais do estado estão organizando, para o dia 7 de dezembro, em Campo Grande, um leilão de animais, commodities, máquinas e produtos doados pelos próprios pecuaristas do estado, para arrecadar recursos para ações contra os indígenas. Deram ao evento o nome de “Leilão da Resistência”. Declararam, no último dia 19, que já receberam 500 cabeças de gado como doação, equivalentes a, no mínimo, 500 mil reais.
O documento final da Quarta Assembleia do Povo Terena, que contou com a participação de mais de 300 lideranças Indígenas de todo o estado, representando os mais de 70 mil indígenas que lá vivem, declarava: “a tragédia está anunciada em Mato Grosso do Sul (…). É pública e notória a ameaça concreta intentada contra os povos indígenas pelos ruralistas deste estado“. Para os indígenas, está claro: os “leilões da resistência” anunciados pelos produtores rurais “tem por objetivo financiar milícias armadas“.
Em carta, os indígenas criticaram o Estado pelo abandono das negociações, no sentido de encontrar saídas para a questão indígena. “O governo federal instalou (…) uma mesa de diálogo na tentativa de resolver a demarcação de nossos territórios. No entanto, após vários prazos estipulados pelo próprio ministro [da Justiça], não há nada de concreto a ser apresentado aos povos indígenas“.
As comunidades Terena, Guarani-Kaiowá, Guarani Ñandeva, Kinikinau e Kadiwéu em luta pela garantia de seus territórios tradicionais, tem relatado e denunciado à Polícia Federal, à Funai e ao MPF um sem número de casos de ataques a tiros, invasões, intimidações e ameaças de morte que os indígenas vem sofrendo no último período. Apesar disso, até o momento, nenhuma segurança permanente está sendo oferecida a estes povos.

Os indígenas conhecem bem o trabalho da segurança privada que os fazendeiros pretendem ampliar na região. Em contexto do conflito envolvendo indígenas e fazendeiros, em novembro de 2011, a empresa de segurança privada Gaspem, que prestava – e ainda presta – serviços a proprietários de terras que incidem sobre território tradicional indígena, foi acusada de envolvimento na morte do rezador Guarani-Kaiowá Nízio Gomes, no tekoha Guaiviry, em Aral Moreira. Na denúncia, o Ministério Público Federal do Mato Grosso do Sul (MPF-MS) classificou as atividades da empresa como de uma “milícia privada”, exigindo a suspensão das atividades da companhia. Em função do caso, sete pessoas estão presas, conforme relatou o MPF.
Jornais e televisões locais também têm associado o termo “milícias armadas” ao discurso dos ruralistas sobre o leilão e sobre as ameaças do dia 30 de novembro. Agências de notícias internacionais categorizaram o caso como “conflito sangrento (…) com características de guerra territorial”.
É público e notória que, no Mato Grosso do Sul, os fazendeiros estão organizando força paramilitar para atentar contra a vida de coletividades e contra o Estado de direito no Brasil.
A “resistência” dos latifundiários é contra a demarcação das terras indígenas. É contra a realização de laudos e perícias pela Funai. É contra a organização política dos indígenas, que avançam na retomada de seus territórios tradicionais, frente à morosidade do Estado e da Justiça, de toda a violência que vem sofrendo, das mãos das forças policiais estaduais e federais, e das seguranças privadas “legais” ou ilegais que atuam na região. A dita “resistência” é, a rigor, contra a vida destas pessoas.
Em função desta conjuntura, extensão de um violento processo histórico de espoliação, confinamento e extermínio dos povos indígenas desta região, as organizações signatárias vêm a público exigir da presidente Dilma uma intervenção federal imediata no Estado do Mato Grosso do Sul. O poder público pode e deve evitar esta “tragédia anunciada”, repetição sistemática do genocídio contra os povos indígenas. E isto precisa ser feito agora. O reconhecimento e a demarcação das terras indígenas é a verdadeira solução para a situação que está posta no Mato Grosso do Sul.
Brasília, 21 de novembro de 2013.
Conselho Indigenista Missionário – Cimi
Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB
Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul – ArpinSul
Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Nordeste, Minas Gerais e Espírito Santo – Apoinme
Aty – Guassu Guarani Kaiowá
Conselho de Caciques Terena
Conselho Indígena de Roraima – CIR
Instituto Kabu – Nejamrô Kayapó
Associação dos Índios Tupinambá da Serra do Padeiro – AITSP
CCPIO AP. Galibi Marworno – Paulo R. Silva
Vídeo nas Aldeias – Vicent Carelli
Operação Amazônia Nativa – Opan
Instituto de Pesquisas e Formação Indígena – Iepé
Instituto Sócio Ambiental – ISA
Associação Terra Indígena Xingu – ATIX
Instituto Indígena para Propriedade Intelectual – Inbrapi
HAY – Dário Vitória Kopenawa Yanomami
HAY – Davi Kopenawa Yanomami

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

A mineração protagoniza uma das mais violentas devastações da nossa história

A atividade é um dos carros chefes na política econômica do Brasil. Não é novidade para os brasileiros: onde há excesso de lucro, há sangue. Histórias chocantes de devastação do meio ambiente e desrespeito ao ser humano ficam escondidas atrás das montanhas de dinheiro.

A tendência é que o quadro, já instável, sangre mais. Muito mais. O governo brasileiro se apressa para aprovar o Novo Marco da Mineração. O objetivo é triplicar o potencial minerador até o ano de 2030. Essas mudanças afetam diretamente a vida de milhares de pessoas que moram, trabalham ou convivem próximas a grandes mineradoras: povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, agricultores familiares e moradores de pequenas vilas em região de extração.

Quais são de fato os danos ambientais? Qual o ganho para uma cidade onde se instala uma grande mineradora? Qual a noção de progresso que está por trás de uma atividade econômica ambientalmente tão cara?

A reportagem especial do NINJA visitou nas últimas semanas os estados responsáveis pela maior exportação de minério no país: Minas Gerais, Pará e Maranhão, conversando nos rincões de nosso país com quem sofre diretamente com a mineração. O documentário completo será lançado no dia 31/10.

Até quando fecharemos os olhos para essa situação?

Indústria do Gás de Xisto é nova frente de riscos exploratórios e conflitos

 Os gases das camadas de xisto, em profundidades entre dois mil e mais de três mil metros, vêm sendo extraídos em várias bacias sedimentares pelo mundo afora por um método que os norte-americanos popularizaram como fracking, uma corruptela de hydraulic fracturing, ou seja, fraturamento hidráulico.

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Mesmo sem ser especialista nessas técnicas de perfuração e produção de gás, considero esta uma tecnologia do tipo “raspar o fundo do tacho”, “torcer a toalha até a ultima gota” .

Objetivamente, pode-se indicar com alguma precisão, por meio de levantamentos  sísmicos e modelos computacionais,  onde está e quais as dimensões de cada camada rochosa de xisto, que é uma espécie de carvão mineral e, como este, contém hidrocarbonetos gasosos em seus poros, interstícios e óleos entranhados.

Mas... não se pode saber o quanto existe nem quanto pode ser coletado do tipo similar ao gás natural, com boa proporção de metano (CH4), de interesse comercial já estabelecido.

Bota pra quebrar: atrás do xisto

fracking pode ser assim resumido:

- no ponto escolhido para perfuração – que pode estar numa fazenda, numa comunidade rural, numa área protegida, no subúrbio de uma cidade –, montam-se torres com brocas, constroem-se galpões e tanques para os insumos, estacionam-se caminhões especiais e outras máquinas pesadas, como geradores e compressores, funcionando 24 horas por dia.

- gasta-se uma enorme quantidade de borra composta de água, areia refinada e produtos químicos variados,  e também uma boa proporção de combustível e eletricidade para poder retirar restos de hidrocarbonetos gasosos entranhados nas camadas de xisto por meio de um procedimento invasivo destrutivo: aumentar e ampliar as fissuras, fraturar as rochas, quebrá-las de modo praticamente incontrolável, introduzindo essa borra química sob pressão em uma tubulação vertical, até alcançar a “rocha-mãe” do xisto, e depois, perfurando-a na horizontal, entrando no miolo da rocha, botando pra quebrar!

- a borra  retornada para a superfície é uma espécie de salmoura contendo os gases que interessam, que são separados, tratados e despachados por gasodutos até os centros de consumo.

- a borra contém compostos químicos contaminantes e deveria ser tratada em estações específicas, caras, e cujo subproduto também é de difícil destinação; muitas vezes a opção das empresas é estocar a borra de retorno em bacias de rejeito na superfície (como as da mineração)  e  depois fazer a reinjeção no subsolo;  aí reside um dos grandes riscos aos lençóis freáticos e aos poços artesianos - os compostos químicos podem migrar no subsolo e atingir grandes profundidades, com o que também os aquíferos profundos correm risco de contaminação.

Mundo afora: resistências à velocidade do fracking e os impactos sociais e ambientais

Pelo mundo afora, o fracking se amplia vorazmente e, junto com ele, reclamações, desconfianças, protestos e tentativas de enquadrar, controlar as consequências, restringir a atividade nos EUA, Argentina, Tunísia, Argélia, Espanha, França, Ucrânia, dentre outros.

Nos EUA, estima-se que 90% dos poços de gás natural sejam do tipo faturamento hidráulico, respondendo por cerca de 25% da produção total de GN. As principais operadoras são as nossas conhecidas Exxon Mobil, BP, Conoco Phillips, Chevron e as menos conhecidas Cheseapeke Energy, considerada a maior operadora internacional de gás de xisto, mais a Anadarko, Devon, Southwestern e outras cujos nomes que certamente estarão no Brasil nas rodadas de licitações da ANP.

Um dos sites que melhor acompanham a luta política e os movimentos sociais naquele país, o “Truthout”,  mantém aberto um dossiê para acompanhar os protestos e manifestações públicas nos 31  Estados onde as perfurações avançaram nos últimos anos -

Ali se pode saber das propostas do governo do Estado de  Nova York  para interditar a atividade em áreas próximas das captações de água para as cidades e nas terras públicas.

Em muitos outros locais, há suspeitas de que a ampliação do  fracking possa comprometer o suprimento público de água, e há ainda alguns casos famosos em áreas rurais com poços artesianos, onde a água da torneira pega fogo...

Outras matérias tratam das manobras legislativas e tributárias das operadoras que não estariam pagando os royalties devidos aos proprietários dos locais de perfuração e aos governos.

Além disso, as empresas não revelam, resistem a informar ao próprio governo exatamente quais compostos químicos entram na lama de perfuração, e fazem lobby constante para afrouxar requisitos ambientais, licenciamentos pela agência EPA e para rebaixar os padrões de contaminação da água e do subsolo.

As poucas pesquisas tornadas públicas mostram níveis elevados de contaminação da água subterrânea  por metais pesados; por exemplo, na Pensilvânia, entidades médicas reivindicam do governo estadual que faça estudos dos efeitos sobre a saúde pública antes de autorizar as perfurações.

Problemas também se somam nas áreas de extração de areia, onde dunas e morros são desmontados rapidamente para suprir o insumo mais ponderável da borra  de fraturamento. E o cerco do shale gas vai apertando: áreas suburbanas também vão sendo perfuradas, com problemas ainda maiores afetando moradores, suas atividades produtivas e o funcionamento dos serviços coletivos.

No Estado de Ohio, há evidências de que tremores de terra e pequenos terremotos estariam sendo provocados pelo fracking. Pode-se ver a respeito, no mesmo site “Truthout”, a investigação do jornalista Mike Ludwig:  http://truth-out.org/news/item/10606-special-investigation-the-earthquakes-and-toxic-waste-of-ohios-fracking-boom

Outros informes bem detalhados podem ser obtidos no site “ProPublica Journalism in the public interest”, cuja linha principal é acompanhar os casos de saúde pública, os problemas das coberturas de saúde pública e privada, as relações entre médicos e laboratórios e outros casos de ética médica. E que também colocou em destaque uma série especial sobre a rápida expansão do fracking em tantas localidades norte-americanas - http://www.propublica.org/series/fracking

No Canadá, províncias como  British Columbia e Alberta oferecem vantagens para empresas perfurarem, enquanto na província de New Brunswick, em 17 de outubro desse ano, uma tropa de duzentos homens da Polícia Montada canadense reprimiu com violência grupos indígenas que protestavam contra o fracking, bloqueando a rodovia de acesso à empresa petrolífera Southwestern em suas terras -  http://www.truth-out.org/news/item/19496-canadian-police-use-military-tactics-to-disperse-indigenous-anti-fracking-blockade

O enfrentamento na Argentina versus passividade brasileira

Na vizinha Argentina, o desembarque de las petroleras na busca do gás de xisto foi recebido com bastante resistência em várias localidades, como no caso das províncias de Chubut, Entrerios, Neuquén, Mendoza. Por conta dos problemas da indústria petrolífera no país, que persistem há décadas, uma frente de entidades de populações atingidas  e de militantes  mantém o excelente site “Observatório Petrolero Sur” -http://www.opsur.org.ar/blog/

Monitorando de perto os desmandos e manobras da indústria e mobilizando campanhas nacionalmente, já editou o segundo número de uma revista chamada  Fractura expuesta - cujo editorial qualifica a expansão do gás de xisto naquele país como uma Blitzkrieg , uma guerra relâmpago. Interessante que o fato de a YPF ter sido retomada pelo governo de Cristina Kirchner, expropriando a espanhola Repsol, parece não alterar a disposição da frente anti-petroleiras – o que no Brasil seria considerado uma heresia, imaginem! questionar a Petrobrás...

“Transcurrido un año de la expropiación a Repsol, la formación Vaca Muerta sigue siendo un horizonte: lo que la empresa no pudo avanzar en la explotación, por falta de recursos financieros y tecnológicos, lo hizo en el plano publicitario, no sólo presentándose como una alternativa confiable para el desarrollo nacional, sino como posibilidad de ahorro ante la inflación y el cepo al dólar. También ganó en publicidad lanzando al ruedo otras formaciones que se suman a la batalla por una “Argentina Potencia no convencional”: las formaciones Pozo D-129 y Aguada Bandera, estrellas de la Cuenca del Golfo San Jorge; Los Molles, Agrio y Las Lajas, en la Cuenca Neuquina, con menos prensa que su par bovina; Cacheuta, en Mendoza, la guarnición novedosa del banquete de Chevron; y Los Monos, en Salta, precalentando para entrar a la cancha” - http://www.opsur.org.ar/blog/2013/07/04/descargate-invasion-fracking-el-segundo-numero-de-fractura-expuesta/

No mesmo editorial, o pessoal do Opsur ressalta a entrada da Chevron em território argentino com essa tecnologia de faturamento como parte de uma estratégia das oil sisters na ótica da chamada segurança energética... dos EUA. Uma das matérias da revista trata da atuação intensa do Departamento de Estado dos EUA, que propagandeia a “revolução dos não-convencionais” e instrumenta intercâmbios e programas de capacitação com diversos países. Outra matéria destaca as idas e vindas desde a primeira proibição parcial do fracking em 2011 pela Assembleia Nacional francesa, até a tramitação, em 2013, de um novo projeto de lei apresentado por um deputado da maioria socialista-ecologista de François Hollande, para ampliar o conceito de faturamento hidráulico e proibi-lo de forma geral.

Aqui também os contrastes com o Brasil são inevitáveis, e de novo ficamos em inferioridade: o governo nada socialista de Rousseff e Temer jamais proibiria qualquer expansão projetada pela indústria petrolífera. A Chevron fez o que fez no campo de Frade, Rio de Janeiro, de certo modo foi acobertada pela Petrobras e, desde o início, francamente blindada pela grande mídia.  Passado um ano e pouco, na prática, a Chevron ficou impune e está de novo posando como parceira em importantes projetos considerados de interesse nacional - a ver nos próximos dias, em quantos dos blocos da 12a. rodada ela vai se apresentar e levar a prenda.

Enfim, a conjuntura brasileira de novembro de 2013 será marcada pela 12a. rodada de licitações  da ANP, prevista para os dias 28 e 29. O fracking é denominado marotamente de “não convencional”, e seriam “leiloados” duzentos e quarenta blocos territoriais com áreas variando de dezenas de km2 até mais de dois mil km quadrados, nos Estados do Acre, Amazonas, Piauí, Maranhão, Goiás, Tocantins, Sergipe, Alagoas, Bahia, Mato Grosso. No caso do Oeste de São Paulo e  do norte do Paraná,  é sabido que no subsolo dessa região, que a ANP chama de Bacia sedimentar Paraná,  encontra-se o valioso Aquífero Guarani, com vários trechos de afloramento e de recarga em áreas onde a invasão fracking se prepara.

Último ponto, e motivação principal desse artigo: os questionamentos vindos da oposição e da esquerda sobre as decisões de governo e da agência reguladora são sempre de ordem econômica, da renda petrolífera, e relativos à soberania. São em geral críticas justas, pertinentes, mas parece que seus autores não sabem – ou, se sabem, não dão valor -  dos graves e disseminados problemas de poluição e de riscos de acidentes.

Também é como se não existissem as numerosas situações de desrespeito aos direitos humanos e políticos, que caracterizam a espoliação das populações residentes nas áreas eleitas para sediar os projetos de prospecção, exploração e as infraestruturas dessa toda poderosa indústria petrolífera.

Mais que nunca, é uma indústria sem pátria, corruptora de autoridades e de pesquisadores, modeladora das pautas da mídia, incansavelmente antidemocrática. Agora, ela vai botar pra quebrar com o gás de xisto.
Que sejam ouvidos pelos de mente aberta, que sejam benvindos às nossas lutas aqueles que criticarem, resistirem e enfrentarem o fracking.

Oswaldo Sevá é professor aposentado do Departamento de Energia da FEM e participante do Doutorado em Ciências Sociais, da Unicamp.

Aumentam mortes em acidentes de trabalho no Brasil

O dia 18 de setembro foi o último para o jovem operário Joadson Brito, de 21 anos, trabalhador da Fábrica Trifil, localizada na cidade de Itabuna, no sul da Bahia. Joadson havia sido contratado há pouco tempo pela fábrica e teve seu corpo completamente mutilado num acidente de trabalho. Segundo relato de outros trabalhadores, a vítima percebeu que uma peça da máquina da tinturaria havia ficado presa e desligou o equipamento para consertar. No entanto, quando Joadson tentou retirar o objeto, a máquina voltou a funcionar, prendendo sua mão e depois sugando parte do seu corpo.

Na fábrica metalúrgica Delphi, em Itabirito (MG), uma operária perdeu o filho por excesso de trabalho e pelas péssimas condições de higiene dos banheiros. Sem querer se identificar para não perder o emprego, a jovem fez o seguinte relato: “Eu trabalhava em dois postos de serviço, em duas máquinas diferentes, pois a fábrica estava em férias coletivas, e eu cobria o serviço de duas pessoas. Pedi para mudar de posto e então solicitaram um relatório que comprovasse que eu estava grávida. Os banheiros da fábrica são lavados uma vez por semana e eu peguei uma infecção urinária. Com as dores, fui ao médico e trouxe o relatório. No entanto, a fábrica não tomou nenhuma medida, e continuei trabalhando no mesmo posto. Solicitei então que trabalhasse ao menos sentada. Não autorizaram. No quinto mês de gestação, senti fortes dores. Tinha perdido meu filho. O médico me disse que estava correndo risco de vida, e que não podia continuar trabalhando com todo esse esforço, mas preciso deste emprego. Um dia depois de perder meu filho, estava trabalhando de novo, no mesmo posto, no lugar de duas trabalhadoras”.

Outra empresa, a usina Raízen Energia, produtora de álcool e açúcar, está respondendo a uma ação civil do Ministério Público do Trabalho de São Paulo por omissão na morte de um operário em uma de suas unidades em Barra Bonita, uma das maiores da América Latina. O procurador do MPT declarou que “as empresas vêm sonegando direitos mínimos, expondo os trabalhadores a riscos” (O Globo 8/9/2013). A ação do MPT contra a Raízen Energia chega a R$ 10 milhões. Porém, antes, foram aplicadas 15 multas contra a empresa por irregularidades relacionadas à segurança do trabalho.

Infelizmente, estes casos apresentados são a regra e expressam o profundo descompromisso dos capitalistas com a vida dos seus empregados. De acordo com o Art. 2º da Lei n° 6.367, “acidente do trabalho é aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a serviço da empresa, provocando lesão corporal ou perturbação funcional que cause a morte, ou perda, ou redução, permanente ou temporária, da capacidade para o trabalho. Consideram-se acidente do trabalho a doença profissional e a doença do trabalho”. (AEPS, 2011)

Segundo dados do último levantamento sobre acidentes de trabalho, realizado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apenas em 2011, foram registrados 711 mil acidentes de trabalho no Brasil. O Ministério da Previdência Social indica que pagamentos de benefícios e indenizações por conta de acidentes de trabalho aumentaram 40% entre 2006 e 2011.

É importante colocar que os dados da Previdência Social fazem menção apenas aos trabalhadores com carteira assinada, excluindo cerca de 20 milhões de trabalhadores que estão na informalidade.

Entre os acidentes fatais, o número também é alarmante. O mesmo estudo aponta que o Brasil ocupa a quarta colocação no ranking mundial de mortes por acidentes de trabalho, perdendo somente para China, Estados Unidos e Rússia. Em 2011, foram registrados 2.884 casos em todo o país. Apenas em São Paulo, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos e Notificações (SINAN), a média é de uma morte decorrente de acidentes de trabalho por dia.

Para José Henrique, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Caruaru (Sintracon), as péssimas condições de trabalho e as longas jornadas de trabalho são as principais causas de acidentes de trabalho. “Os trabalhadores são desrespeitados, e os patrões pensam apenas no lucro. Não garantem os equipamentos de proteção individual para os empregados. As jornadas de trabalho na construção civil chegam a 12 horas. Fazer hora extra se tornou regra”.

De acordo com Renato Campos, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Massas de Minas Gerais (Sindmassas), é necessário um aumento geral dos salários. “Os trabalhadores fazem hora extra porque ganham pouco e até mesmo porque são obrigados pelos chefes. O salário mínimo no Brasil é um dos menores da América Latina, mesmo o nosso país sendo a principal economia da região e sexta maior economia do mundo. Lutamos pela redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais”.

A bandeira da redução da jornada de trabalho vem sendo levantada pelo movimento sindical brasileiro como uma das saídas para diminuir os acidentes de trabalho. “A redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário, vai melhorar a qualidade de vida do trabalhador e é um aspecto que reflete no processo de produção e diminui os acidentes. Na lei, a jornada de trabalho é de 44 horas semanais, mas, na prática, os trabalhadores fazem o dobro”, afirma José Henrique.

Outro problema levantado é a terceirização, que cresce fortemente no Brasil em praticamente todos os setores da economia. As grandes empresas públicas e privadas contratam outras empresas menores para responder por determinadas atividades e muitas dessas empresas contratadas já contratam outras ainda menores.

Wilton Maia, presidente do Sindicato dos Urbanitários de Paraíba (Stiupb), afirma que “os capitalistas, quando tratam da terceirização, falam de inovação. Na verdade, é sim uma inovação, inovação na forma de precarizar o trabalho. Atualmente, tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 4.330, que escancara as terceirizações para todos os setores da economia e institui esta prática como política oficial no serviço público. A classe trabalhadora não pode permitir isso”.

Fonte: Jornal A Verdade.

Todos à Marcha da Periferia! Participe das atividades em sua cidade e confira a agenda de mobilizações

O Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe e a CSP-Conlutas convidam a todas as entidades do movimento sindical e social a se integrarem à Marcha Nacional da Periferia. Estão confirmadas atividades na capital paulista, em São José dos Campos e Bauru, em Belém (PA), em Fortaleza (CE), Maceió (AL), São Luís (MA). Estão previstas mobilizações também nas cidades do Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Recife (PE), Porto Alegre (RS), entre outras. Além da realização palestras, atos de rua atividades culturais na semana em que se comemora o dia da Consciência Negra, 20 de novembro. O calendário de atividades pode ser visto ao final da matéria.

“Pelos Amarildos, da Copa eu Abro Mão” – Com tema “Pelos Amarildos, da Copa eu Abro Mão” a marcha de 2013 contrapõe-se a violência e criminalização impetrada pela polícia nas periferias. Isso quando há um alto investimento dos governos destinados para a Copa de 2014 e Olimpíadas de 2016.

A Marcha exigirá respostas para as perguntas “Cadê o Amarildo?”, “Por que o senhor atirou em mim?” em alusão aos casos recentes de assassinatos de inocentes envolvendo policiais.

O Quilombo Raça e Classe estará nas ruas marchando contra o extermínio da população negra; a criminalização do povo da periferia; as remoções causadas pelos “megaeventos” como a Copa de 2014 e Olimpíadas em 2016; a perseguição às lideranças comunitárias, quilombolas, camponesas, ambientalistas e indígenas; o aumento da repressão aos que lutam; a precariedade dos serviços públicos básicos como educação, saúde, moradia e mobilidade social. Em contrapartida a todo esse quadro de calamidade, os governos têm gastos exorbitantes com a Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016 e multiplicam os investimentos nessas obras que passaram de 1, 5 bilhões de reais para fabulosos 45 bilhões de reais.

Desigualdades entre negros e não negros no mercado de trabalho

O mercado de trabalho é ocupado 48,2% por negros. Contudo, independente de sua escolaridade, do setor em que atuam, os negros ganham 36,11% menos do que os não negros. Ou seja, a hora de trabalho dos negros limita-se a 63,9% do ganho- hora dos não negros. Esse foi o resultado da pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) no biênio de 2011-212, divulgada nessa quarta-feira (13). O estudo foi realizado nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte, Distrito Federal, Fortaleza, Porto Alegre, Recife, Salvador e São Paulo.

Outro dado ressaltado pela pesquisa é que quanto maior o nível de escolaridade e cargo que o negro ocupa maior a desigualdade de salário em relação aos não negros. Na Indústria de Transformação, a diferença de rendimentos por hora trabalhada entre negros que possuem nível fundamental incompleto em comparação com não negros foi de 18,4%. Essa diferença é maior para os negros que possuem ensino superior completo e chega a 40,1%. O mesmo corre no setor de comércio cuja diferença de rendimento é de 19,7% para aqueles que possuem ensino fundamental incompleto e de 39,1% para aqueles que possuem superior completo. Na construção, setor onde predomina a força de trabalho do negro, a diferença de remuneração variou de 15,6% para os que possuíam ensino fundamental incompleto e 24,4% para os que possuíam ensino superior completo.

Ainda de acordo com a pesquisa, que pode ser lida na íntegra no site do Dieese, os negros também são maioria nos cargos considerados menor prestigio e valorização. Setores que exigem desgaste físico, repetitivo e oferecem pouca margem para decisões e para criatividade.

Quando as ocupações são hierarquizadas e diferenciadas de acordo com a escala produtiva, há discrepâncias entre os postos alcançados por negros e não negros em suas carreiras. Segundo a pesquisa, em 2011-2012 grande parte de pretos e pardos ocupou postos nas atividades de execução e uma pífia parcela ocupava postos de direção e planejamento. Em São Paulo, por exemplo, 61,1% dos negros realizam atividades executivas e 5,7% ocupavam cargos de gestão, o que representa, respectivamente, 52,1% e 18,1% de não negros nessas inserções. É rara também a presença de trabalhadores negros em postos de direção e planejamento.

Salário Igual, trabalho igual - A pesquisa constata que o abismo entre negros e não negros no mercado de trabalho. Por isso, na semana da consciência negra, vamos também levantar nossas bandeiras por salário igual trabalho igual.

Veja a agenda parcial das atividades confirmadas até agora da Marcha da Periferia e participe em sua cidade:

Agenda – Marcha da Periferia 2013
Marcha da Periferia

São Paulo


Capital

14 de novembro
Mesa de Opressões- Congresso do SINDSEF-19h
Debate: Racismo na Escola-17h Escola Oscar Blois- Jaraguá/Zona Oeste

18 de novembro
Debate: Racismo na Escola-7h Escola Eudoro Vilela
Oficinas: Racismo na Escola-13h Escola Leporace

19 de novembro
Panfletagem Carta Aberta sobre 20 de Novembro do Sindicato dos Metroviários- 17h Sé
Mesa Racismo no Serviço Público- 19h Sinsprev

20 de novembro

Zona Sul- Concentração para manifestação às 9h no Largo do Pirapora, próximo Terminal Guarapiranga -M Boi Mirim. Atividades culturais às 11h no Sacolão das Artes. (Organização Quilombo Raça e Classe, CSP-Conlutas e demais movimentos).

Centro – Apresentações de Rap às 12h na Ocupação Mauá- Rua Mauá, 340 Luz (Organização FRN, Ocupação Mauá, Brigada Popular) (veja a convocatória de São Paulo)

22 de novembro

Debate: Racismo na Escola-7h Escola Martin Egidio Damy- Brasilândia/Zona Oeste
Debate: Racismo na Escola-19h Escola Jardim Arcati

São José dos Campos


20 de novembro de 2013

Marcha da Periferia na Praça Afonso Pena – às15h

Bauru


30 de novembro

Marcha da Periferia – às 14h. Câmara dos Vereadores de Bauru ( confira o evento no facebook: https://www.facebook.com/marchadaperiferiabauru)

Rio de Janeiro

21 de Novembro

Ocupação cultural/oficinas – às 17h
Marcha da Periferia com Raça, Classe e Gênero do Rio de Janeiro ao busto de Zumbi – Concentração na Candelária/Rio – às 18h30. (Veja a agenda completa aqui)

Rio Grande do Sul

20 de Novembro

Panfletagem na Esquina Democrática – das 12h às 17h.
Concentração no Largo Glênio Perez da VII Marcha Zumbi – às 17h30
Saída da Marcha até o Largo Zumbi dos Palmares – às 18h30

22 de Novembro

Sambarau – Campus da Saúde UFRGS (com o Coletivo Negração) – às 18h

30 de Novembro

Sede PSTU – Debate Brasil/África (com Wilson Honório – Quilombo Raça e Classe/SP) – às 14h
Seminário Sindicato dos Correios/RS – Contra todos os tipos de Violência e Discriminação Racial – no Quilombo Silva, das 18h às 20h
*após atividades culturais e festa (atividade para todos os Militantes e Ativistas)

Maceió


22 de novembro


II marcha da periferia – às 14h. Concentração no CEPA em sentido a praça dos martírios com apresentações de Rap.

São Luís


22 de novembro


Marcha da Periferia – às 15h. Praça Deodoro


Fortaleza

22 de novembro

Ato contra o Extermínio da Juventude Pobre e Negra de Fortaleza- às 15h na Praça do Ferreira

Belém

16 de novembro

Plenária de construção da 1ª Marcha da Periferia de Belém – às 18h, na Rua São Domingos n° 567, Terra Firme.