quinta-feira, 21 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Greve dos servidores públicos federais ganha mais adesões e categoria participa em peso da Marcha da Cúpula dos Povos
*http://cspconlutas.org.br
A greve dos servidores federais ganhou mais força nesta segunda-feira (18). Agora, os servidores da Funasa, Incra, Ministério da Agricultura e Arquivo Nacional se somam aos técnicos administrativos que iniciaram greve no dia 11 e aos docentes das Universidades Federais que estão há mais de um mês parados. A paralisação e a disposição de luta desses servidores já começam a mostrar a força da unidade do funcionalismo público.
Para reafirmar toda sua disposição em brigar por seus direitos e colocar pressão contra a enrolação do governo, que até o momento não apresentou nenhuma proposta aos servidores, mais uma vez a categoria vai às ruas. O funcionalismo público participará da marcha realizada durante a Cúpula dos Povos nesta quarta-feira (20). A concentração do ato será na Candelária, a partir das 15 horas.
Na marcha, a coluna do funcionalismo defenderá o fim da política de congelamento salarial e da precarização dos serviços públicos no país. Representações da categoria de praticamente todos os estados e todos os segmentos dos serviços públicos devem participar do protesto. Os servidores também realizarão uma atividade especifica com local ainda não definido.
Essa atividade foi aprovada na plenária dos servidores públicos realizada em Brasília no dia 5 de junho. Nesse mesmo dia foi realizada uma marcha da categoria que reuniu mais de 15 mil servidores.
O representante da CSP-Conlutas, Paulo Barela, salientou que a presença dos Servidores na Cúpula dos Povos irá mostrar a unidade da categoria e a força de sua mobilização. “Não aceitamos mais sermos enrolados pelo governo. Servidores de todo país irão mostrar a força do movimento com uma coluna combativa que terá a participação de todos os setores do funcionalismo em greve. Iremos mostrar o peso do movimento, que cresce a cada dia, até que o atendimento de nossas reivindicações”, finalizou.
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- Moçambicano, convidado para a atividade dos Atingidos pela Vale, na Cúpula dos Povos, teve sua entrada no Brasil negada
segunda-feira, 18 de junho de 2012
Em defesa da educação! Contra a repressão!
MANIFESTO
Em defesa da educação!
Contra a repressão!
Cenas como as que aconteceram com os estudantes da
Unifesp no dia 14 de junho vêm se tornando frequentes. A violência
desproporcional da PM e da tropa de choque é utilizada todas as vezes que os
movimentos sociais se levantam e tem algo a dizer para a sociedade.
No ato contra o aumento da tarifa (2011), nas duas
marchas da maconha (2011), na USP (2011), na desocupação do Pinheirinho (2012),
na ação da Crackolândia (2012), no ato contra a corrupção (2012) e agora,
novamente, na Unifesp. A resposta dos governos federal e estadual às
reivindicações dos estudantes se fez muito clara – afinal, quem não entende a
mensagem por trás de balas de borracha, sprays de pimenta, e bombas de efeito
moral? O objetivo dessas ações é calar nossas vozes e abaixar nossas bandeiras,
que defendem outro modelo de educação diferente do que nos é imposto pelo
Governo Federal.
Este modelo implantado pelo
Governo, que é fruto de REUNIs dos mais diversos tipos. A expansão das universidades
federais é um forte exemplo da precarização da educação pública no Brasil.
Enquanto o número de vagas aumenta, a estrutura das universidades continua a
mesma. Falta de salas de aula, altos preços de alimentação, pouca importância à
permanência estudantil, enquanto quase metade do orçamento do Estado é
direcionada para o pagamento de juros e amortizações da dívida pública. Esses
são apenas alguns dos pontos que desencadearam este ano uma greve nacional, na
qual 90% das universidades federais estão em greve docente e a maior parte
delas também em greve discente. Um importante exemplo é a Universidade Federal
de São Paulo, onde os estudantes estão em greve há quase três meses,
reivindicando melhores estruturas para o ensino.
Assim, os atos que agora construímos são respostas
ao governo federal, aos prefeitos, aos governadores e aos reitores: Não
deixaremos de denunciar o descaso com o ensino! Não deixaremos de lutar por um
projeto de educação com qualidade e amplo acesso e permanência! Muito menos
deixaremos de lutar – seja através de greves, ocupações de reitoria e
manifestações!
Abaixo a violência policial, na
universidade, nas periferias e no mundo!
Por uma educação pública de
qualidade e acessível para todas e todos!
Pela unidade do movimento
estudantil, movimentos populares e sindicais!
- Assinam esse manifesto:
Coletivo Construção - União da Juventude
Comunista - Coletivo Rompendo Amarras - Centro Acadêmico Pereira Barreto - Centro
Acadêmico Unificado Baixada Santista - Comando de Greve dos Estudantes da
UNIFESP São Paulo - Comando de Greve dos Estudantes da UNIFESP Santos -
Construção Coletiva (PUCSP) - Coletivo Feminista Yaba (PUCSP) - Coletivo O
Estudante em Construção (UFF).
Junte-se a essa luta!
Assine também este manifesto!
Contatos: daunifespbs@gmail.com
(CA Unificado da Unifesp Santos).
gestaocapb@gmail.com (CA
Pereira Barreto).
Ato Pelo Direito de Greve!
O Sindicato dos Metroviários de São Paulo e várias outras entidades
sindicais, políticas e populares estão organizando um ato público em
defesa do direito de greve. Ele será realizado no dia 25 de junho, a
partir das 19 horas, no Largo São Francisco (Faculdade de Direito da
USP), região central de São Paulo.
O ato vai contar com as presenças de Jorge Souto Maior (professor
associado da Faculdade de Direito da USP) e de Francisco Gérson Marques
de Lima (procurador regional do trabalho do Ceará, membro do Conalis –
Coordenadoria Nacional de Promoção da Liberdade Sindical e professor
adjunto da Universidade Federal do Ceará).
A mais recente greve dos metroviários de São Paulo sofreu grandes
ataques do governo estadual, da justiça do trabalho e de parte da
imprensa. Na verdade, todas as greves da área de transporte no País vêm
sendo atacadas, inclusive com mentiras.
É preciso lutar para garantir o direito de greve. Os governos federal
e estadual e setores do judiciário trabalhista já deixaram claro que
não querem que os metroviários e outros trabalhadores tenham o direito
de preservar seus direitos.
Participe!
Fonte: Metroviários de SP
Violência no Campo
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Carta Aberta à Comissão Nacional da Verdade
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| Sexta, 15 de Junho de 2012 |
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Nós, familiares de mortos e desaparecidos políticos abaixo-assinados, saudamos a instalação da Comissão Nacional da Verdade, que realiza essa primeira reunião conosco, abrindo um diálogo que possibilitará o aprofundamento das questões que são nossas bandeiras de luta ao longo de quase quatro décadas. Consideramos que a criação da Comissão Nacional da Verdade é uma vitória da perseverança de pessoas como Dilma Alves, Cyrene Moroni Barroso, Alzira Grabois, Helena Pereira dos Santos, Julieta Petit da Silva, Helena Grecco, Jorge Delizoicov, Eunice Santos Delgado, Ruy Berbert, Felícia Mardini de Oliveira, Edgar e Irene Corrêa, João Luis Lopes de Moraes, Davi Capistrano Filho, Elza Joana dos Santos, Jayme Wright, Márcia Santa Cruz, Iracema Merlino, Maria Helena Molina que, dentre outras, estiveram à frente na luta pelo paradeiro de nossos parentes e que, infelizmente, morreram sem conhecer a Verdade e sem alcançar a Justiça. Desde a luta pela anistia nossas reivindicações são as mesmas: queremos saber onde estão os nossos familiares; que seus restos mortais sejam localizados; queremos saber como morreram e quem são os autores intelectuais e materiais das torturas, assassinatos e ocultação dos corpos. E, apesar da decisão do STF, continuaremos a lutar pelo julgamento dos responsáveis por essas atrocidades, de acordo com o devido processo legal: a única luta que se perde é a que se abandona. Entendemos que essa Comissão Nacional da Verdade deve examinar os crimes do Estado contra opositores políticos durante a ditadura militar, com foco no período de 1964 a 1985. O Estado brasileiro foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos e pela Justiça brasileira a esclarecer os casos de desaparecimentos forçados que se deram no Araguaia e nas diversas cidades do país. Entendemos que essa Comissão – apesar dos limites impostos pela lei que a criou – reúne força política suficiente para possibilitar a implementação da execução dessas sentenças. A Comissão Nacional da Verdade deverá considerar no seu trabalho o conjunto dos documentos já produzidos pelos poderes Executivo (Comissão da Anistia, Comissão Especial dos Mortos e Desaparecidos e comissões estaduais de indenização aos presos políticos), Judiciário, Legislativo, e por vítimas e familiares dos mortos e desaparecidos políticos. Deverá, ainda, procurar trabalhar de forma articulada com as demais comissões do tema existentes. A Comissão, no seu trabalho de investigação, deve ter pleno acesso aos arquivos militares. Deve identificar e ouvir os integrantes de todos os organismos militares e civis de repressão política em todos os escalões - comandos, direções, interrogadores, participantes de equipes de busca, analistas, escrivães, carcereiros, médicos-legistas, motoristas, fotógrafos; bem como os empresários que financiaram os órgãos de tortura, clandestinos e oficiais – enfim, todos que de alguma forma contribuíram para a implementação do terror de Estado. A Comissão deve cumprir o papel pedagógico junto a uma sociedade que ainda desconhece essa história e, para isso, as audiências devem ser amplamente convocadas e públicas. Por fim, solicitamos expressamente aos integrantes dessa Comissão Nacional da Verdade que não mais usem o termo revanchismo quando se referirem à nossa busca por Justiça. Justiça não significa vazar olhos; estuprar; dilacerar crânios; decepar cabeças; esquartejar, incinerar corpos; ocultar os assassinatos cometidos pelo Estado. Justiça não é anistia para os dois lados. São Paulo, 11 de junho de 2012. TORTURA NUNCA MAIS. PARA QUE NÃO SE ESQUEÇA, PARA QUE NUNCA MAIS ACONTEÇA! |
Campanha promove mobilização em favor da causa indígena
Cimi e AJD colhem assinaturas para entrega de manifesto em defesa dos povos indígenas aos três poderes
*http://www.brasildefato.com.br
Através
da campanha “Eu apoio a causa indígena”, o Conselho Indigenista
Missionário (CIMI) e a Associação de Juízes para a Democracia (AJD)
realizam a coleta de assinaturas para entrega de um manifesto em defesa dos povos indígenas aos
três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário. A campanha foi
lançada nesta quarta-feira (13), no auditório Dom Helder Câmara da
Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), em Brasília (DF).
O manifesto denuncia a falta de reconhecimento do Estado brasileiro dos povos indígenas, sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. O documento pede celeridade do Judiciário na definição das demandas judiciais que envolvem os indígenas e declara repúdio à PEC 215, que pretende retirar do Executivo o processo administrativo das demarcações e homologações de terras indígenas, transferindo-o para o Legislativo.
No lançamento da campanha, a desembargadora Dora Martins explicou que a Associação dos Juízes para a Democracia é constituída por juízes que não se conformam com a lentidão do Judiciário brasileiro e, ao se depararem com a situação Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, se sensibilizaram com a causa indígena e decidiram lançar o manifesto. “Entendemos que como juízes precisávamos fazer alguma ação”, afirmou a desembargadora.
As entidades também denunciam que as terras indígenas não são demarcadas “com a presteza fincada na Constituição Federal”, o que, segundo elas, deixa os povos indígenas vulneráveis a diversas violações de direitos humanos na disputa pela terra. “Assim, temos o extermínio, desintegração social, opressão, mortes, ameaças, marginalização, exclusão, fome, miséria e toda espécie de violência física e psicológica, agravada, especialmente, entre as crianças e jovens indígenas”, afirma o documento.
“A terra é o eixo vital para sobrevivência física e cultural de um povo e, se referindo aos povos indígenas, identifica todas as suas ações e a recuperação da sua identidade como povo, cultura, costume e tradição”, ressaltou Emília Altini, vice-presidente do Cimi, no lançamento da campanha.
Para assinar o manifesto, acesse www.causaindigena.org.
O manifesto denuncia a falta de reconhecimento do Estado brasileiro dos povos indígenas, sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições. O documento pede celeridade do Judiciário na definição das demandas judiciais que envolvem os indígenas e declara repúdio à PEC 215, que pretende retirar do Executivo o processo administrativo das demarcações e homologações de terras indígenas, transferindo-o para o Legislativo.
No lançamento da campanha, a desembargadora Dora Martins explicou que a Associação dos Juízes para a Democracia é constituída por juízes que não se conformam com a lentidão do Judiciário brasileiro e, ao se depararem com a situação Guarani Kaiowá no Mato Grosso do Sul, se sensibilizaram com a causa indígena e decidiram lançar o manifesto. “Entendemos que como juízes precisávamos fazer alguma ação”, afirmou a desembargadora.
As entidades também denunciam que as terras indígenas não são demarcadas “com a presteza fincada na Constituição Federal”, o que, segundo elas, deixa os povos indígenas vulneráveis a diversas violações de direitos humanos na disputa pela terra. “Assim, temos o extermínio, desintegração social, opressão, mortes, ameaças, marginalização, exclusão, fome, miséria e toda espécie de violência física e psicológica, agravada, especialmente, entre as crianças e jovens indígenas”, afirma o documento.
“A terra é o eixo vital para sobrevivência física e cultural de um povo e, se referindo aos povos indígenas, identifica todas as suas ações e a recuperação da sua identidade como povo, cultura, costume e tradição”, ressaltou Emília Altini, vice-presidente do Cimi, no lançamento da campanha.
Para assinar o manifesto, acesse www.causaindigena.org.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Nota dos movimentos sociais em apoio ao moçambicano impedido de entrar no Brasil pela Polícia Federal
Veja a nota dos movimentos sociais, da qual a CSP-Conlutas também é signatária, sobre o impedimento da entrada do moçambicano Jeremias Vunjanhe, membro da Justiça Ambiental, que teve sua entrada no Brasil negada. O ativista é jornalista e vinha de Maputo – capital de Moçambique – com a delegação dos Amigos da Terra, para participar da atividade dos Atingidos pela Vale, na Cúpula dos Povos, evento que ocorre de 15 a 23 de junho.
Nota de coletivos e movimentos
Os coletivos e movimentos sociais que trabalham na construção da
Cúpula dos Povos na Rio+20 por Justiça Social e Ambiental abaixo
listados vem a público expressar sua indignação com o impedimento de
entrada no Brasil e ato arbitrário que deflagra um processo de
criminalização de um ativista da sociedade civil e participante da
Cúpula dos Povos vindo de Moçambique.
Jeremias Vunjanhe, jornalista de profissão da organização
não-governamental moçambicana JA (Justiça Ambiental), membro moçambicano
da federação Internacional dos Amigos da Terra, foi impedido de entrar
no Brasil no dia 12 de Junho de 2012. Ele participaria da Cúpula dos
Povos e do III Encontro Internacional dos Atingidos pela Vale, para
expor o polêmico caso da Vale em Moçambique e compartilhar com
comunidades atingidas no mundo todo pelas corporações extrativas. Além
de também estar credenciado como observador da sociedade civil na
Conferência Oficial da ONU Rio + 20.
Ao chegar no aeroporto de Guarulhos em São Paulo, no dia 12 de junho,
foi-lhe retirado o passaporte sendo escoltado para a sala de embarque
de regresso a Moçambique pela Polícia Federal brasileira, sem qualquer
explicação, apesar deste ter solicitado que fossem apresentadas as
razões. O seu passaporte foi-lhe devolvido horas depois de levantar voo,
carimbado com o selo de Impedido da SINPI (Sistema Nacional de
Impedidos e Procurados) do Departamento da Polícia Federal.
A Embaixada do Brasil em Moçambique emitiu o visto de entrada
seguindo todos os requisitos exigidos e em momento algum o Sr. Jeremias
foi informado da existência de alguma questão que pudesse constituir
impedimento para a sua entrada no Brasil.
Perante esta situação a organização Justiça Ambiental informou que
irá utilizar todos os meios disponíveis para desvendar as razões por
detrás deste vergonhoso acontecimento e que não irá desistir enquanto
não for devidamente esclarecido, visto o ato prejudicar não apenas a
imagem e trabalho da organização Justiça Ambiental, mas acima de tudo,
de atacar a imagem e integridade do Sr. Jeremias, atentando contra seus
direitos sem a apresentação de qualquer fundamento.
Exigimos, unidos em solidariedade internacional e em apoio a
organização Justiça Ambiental e ao ativista Jeremias, que o nome do Sr.
Jeremias Vunjanhe seja urgentemente retirado da SINPI ou de qualquer
outro organismo de informação a este associado. Que seja feito um
esclarecimento publico e um pedido de desculpas formal e que se garanta o
mais pronto possível a participação do Sr. Jeremias nas suas atividades
previstas no Rio de Janeiro durante a Conferencia Rio+20 e que nenhum
ato arbitrário contra ativistas venha a comprometer a garantia dos
direitos e de participação democrática em processos das Nações Unidas.
A Embaixada do Brasil em Moçambique já foi contatada e esta tarde o
Cônsul do Brasil em Maputo. Ofícios e pedidos de esclarecimentos foram
enviados pelas organizações da sociedade civil do Brasil e
internacionais ao Itamaraty, Ministério da Justiça e Secretaria Geral da
Presidência.
Rio de Janeiro 14 de Junho de 2012
Grupo de Articulação da Cúpula dos Povos por Justiça Social e
Ambiental Contra a Mercantilização da Natureza e em Defesa dos Bens
Comuns
www.cupuladospovos.org.br
Assinam os movimentos e organizações nacionais e internacionais:
Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – Salvador – BA
Alternatives international
AMB – Articulação de Mulheres Brasileira
Amigos da Terra Brasil
Amigos da Terra Internacional
ANAÍ – Salvador – BA
ANEL
Articulação Internacional dos Atingidos pela Vale
Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa
Associação Aritaguá – Ilhéus – BA
Associação de Favelas de São José dos Campos – SP
Associação de Moradores de Porto das Caixas (vítimas do derramamento de óleo da Ferrovia Centro Atlântica) – Itaboraí – RJ
Associação dos Geógrafos Brasileiros GT Ambiente
Associação Socioambiental Verdemar – Cachoeira – BA
ATTAC France
Bicuda Ecológica
Brigadas Populares
CEA
CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva) – Belo Horizonte – MG
CEDENPA-Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará
Central Única das Favelas (CUFA-CEARÁ) – Fortaleza – CE
Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA) – Belém – PA
Centro Martin Lutter King
CEPEDES (Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia) – Eunápolis – BA
Ciranda
COMPA
Compa e Associação de favelas de são josé dos campos sp
Componentes do GT Combate ao Racismo Ambiental
Coordenação Nacional de Juventude Negra – Recife – PE
CPP (Conselho Pastoral dos Pescadores) Nacional
CPP BA – Salvador – BA
CPP CE – Fortaleza – CE
CPP Juazeiro – BA
CPP Nordeste – Recife (PE, AL, SE, PB, RN)
CPP Norte (Paz e Bem) – Belém – PA
CPT – Comissão Pastoral da Terra Nacional
CRIOLA – Rio de Janeiro – RJ
CSP Conlutas
CUT
Diálogos 2000
EKOS – Instituto para a Justiça e a Equidade – São Luís – MA FAOR – Fórum da Amazônia Oriental – Belém – PA
FASE
Fase Amazônia – Belém – PA
Fase Nacional
FBOMS
FDA (Frente em Defesa da Amazônia) – Santarém – PA
Federacao Democratica dos Metalurgicos de Minas Gerais.
FIOCRUZ – RJ
Fórum Carajás – São Luís – MA
Fórum de Defesa da Zona Costeira do Ceará – Fortaleza – CE
FUNAGUAS – Terezina – PI
GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra – São Paulo – SP
GPEA (Grupo Pesquisador em Educação Ambiental da UFMT) – Cuiabá – MT
Grupo de Pesquisa Historicidade do Estado e do Direito: interações sociedade e meio ambiente, da UFBA – Salvador – BA
GT Observatório e GT Água e Meio Ambiente do Fórum da Amazônia Oriental (FAOR) – Belém – PA
GT Racismo Ambiental da Rede Brasileira de Justiça Ambiental
IARA – Rio de Janeiro – RJ
Ibase – Rio de Janeiro – RJ
IBON International
INESC – Brasília – DF
Instituto Búzios – Salvador – BA
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – IF Fluminense – Macaé – RJ
Instituto Mais Democracia
Instituto Terramar – Fortaleza – CE
Jubileu Sul Américas
Jubileu Sul Brasil
Justiça Global
Justiça nos Trilhos
Mais Democracia
Marcha Mundial das Mulheres
Movimento Cultura de Rua (MCR) – Fortaleza – CE
Movimento Inter-Religioso (MIR/Iser) – Rio de Janeiro – RJ
Movimento Mundial Pelas Florestas Tropicais – WRM
Movimento pelas Serras e Águas de Minas
Movimento Popular de Saúde de Santo Amaro da Purificação (MOPS) – Santo Amaro da Purificação – BA
Movimento Wangari Maathai – Salvador – BA
NINJA – Núcleo de Investigações em Justiça Ambiental (Universidade Federal de São João del-Rei) – São João del-Rei – MG
Núcleo TRAMAS (Trabalho Meio Ambiente e Saúde para Sustentabilidade/UFC) – Fortaleza – CE
Observatório Ambiental Alberto Ribeiro Lamego – Macaé – RJ
Observatório Latinoamericano de Conflictos Ambientales – OLCA
Omolaiyè (Sociedade de Estudos Étnicos, Políticos, Sociais e Culturais) – Aracajú – SE
ONG.GDASI – Grupo de Defesa Ambiental e Social de Itacuruçá – Mangaratiba – RJ
Opção Brasil – São Paulo – SP
Oriashé Sociedade Brasileira de Cultura e Arte Negra – São Paulo – SP
Pacs – Instituto de Politicas Alternativas ao Cone Sul
Plataforma DHESCA Brasil
Projeto Recriar – Ouro Preto – MG
REBEA
REBRIP
RECOMA
Rede Alerta Contra o Deserto Verde
Rede Axé Dudu – Cuiabá – MT
Rede Brasil sobre Instituições Financeiras Multilaterais
Rede de ONGs da Mata Atlântica
Rede Matogrossense de Educação Ambiental – Cuiabá – MT
RENAP Ceará – Fortaleza – CE
Sindicato Metabase de inconfidentes – MG
Sind Metal S Jose dos Campos
Sind Metroviarios Sp
Sindicato Metabase Mariana
Sind Comstr Civil Belem
Sind Constr Civil Fortaleza
Sociedade de Melhoramentos do São Manoel – São Manoel – SP
Terra de Direitos – Paulo Afonso – BA
TOXISPHERA – Associação de Saúde Ambiental – PR
Transnational Institute
CARTA DENÚNCIA
Sucateamento dos órgãos
agrários ameaça a soberania ambiental, territorial e alimentar brasileira
Associação
Nacional dos Servidores do MDA – ASSEMDA
Associação
Nacional dos Engenheiros Agrônomos do INCRA – ASSINAGRO
Confederação
Nacional das Associações dos Servidores do INCRA – CNASI
A agricultura familiar, com sua
renda de cerca de R$ 54 bilhões/ano, há muito deixou de ser coadjuvante da
economia nacional, sendo um dos atores principais da distribuição de renda do
Brasil. Em 2006, o Censo Agropecuário do IBGE consolidou um quadro claro desse
setor, apontando que mesmo com cerca de 4,3 milhões de estabelecimentos ocupa
somente 24,3% da área agricultável, produz 70% dos alimentos consumidos no país
e emprega 74,4% dos trabalhadores rurais, além de ser responsável por mais de
38% da receita bruta da agropecuária brasileira.
Apesar de toda essa atividade e
importância da agricultura familiar, o governo brasileiro, paradoxalmente,
promoveu nos últimos anos o desmonte da estrutura dos órgãos de desenvolvimento
agrário no país. A baixa remuneração percebida pelos servidores destes órgãos
tem também sido um importante agente de evasão e precariedade dos serviços
prestados. Os concursos para provimento nos órgãos agrários são pouco atraentes.
E mesmo os escassos processos seletivos realizados foram incapazes de recompor
o quadro de servidores. Nestes órgãos, não há política de capacitação, nem
política de qualidade de vida no trabalho, tampouco política salarial. A
remuneração dos trabalhadores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (INCRA) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) são, por
exemplo, duas vezes e meia inferior à do Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (MAPA). Sendo que em todos os órgãos, INCRA, MDA e MAPA,
realizam-se funções similares e até 2008 tinham seus salários equiparados.
Distorção que se aprofundou justamente no governo do Partido dos Trabalhadores.
Portanto, é de se perguntar: como os
órgãos estatais responsáveis pela questão agrária poderão cumprir sua missão
institucional e o compromisso de campanha da presidente Dilma em erradicar a
miséria no meio rural? Ou, como estes órgãos poderão incentivar a mudança no
padrão de produção agrícola no Brasil, cumprindo a legislação ambiental,
incentivando métodos agroecológicos, ao invés da utilização massiva de
agrotóxicos e insumos tóxicos? A resposta é simples: assim não é possível!
O governo secundarizou a
estruturação do serviço público no MDA e no INCRA, o que acaba também por secundarizar
a promoção de formas sustentáveis da produção agrícola. O sucateamento dos
órgãos de desenvolvimento agrário e da falta de recursos para suas ações, mesmo
com belas campanhas promocionais do governo, revela uma triste realidade: a
agricultura familiar no Brasil encontra-se mais endividada que nunca. A reforma
agrária está parada. A concentração fundiária cresceu nos últimos anos e as
mortes no campo por conflito agrário se propagaram. A pobreza concentrou-se
justamente no meio rural, como mostram os dados apresentados pelo próprio
governo. Na última década, o uso de agrotóxicos no Brasil assumiu proporções
assustadoras. Entre 2001 e 2008, a venda de venenos agrícolas no país saltou de
US$ 2 bilhões para cerca de US$ 7 bilhões, quando alcançamos a triste posição
de maior consumidor mundial de venenos. Foram 986,5 mil toneladas de
agrotóxicos aplicados. Em 2009, ampliamos ainda mais o consumo e ultrapassamos
a marca de um milhão de toneladas – o que representa nada menos que 5,2 kg de
veneno por habitante do Brasil.
O atual modelo agrícola implantado
no Brasil, baseado na grande monocultura, no uso intensivo de agrotóxicos e na
produção de commodities para exportação é insustentável. Os dados gerados pelos
próprios agentes do agronegócio atestam isso. Os números da CNA (Confederação
Nacional da Agricultura), organização patronal representante dos grandes
produtores, destacam os sucessivos prejuízos sofridos pelos grandes produtores
de grãos. Em fevereiro de 2010, levantamento feito pela CNA concluiu que a
produção de milho era “economicamente inviável nas principais regiões
produtoras do país”. Em julho de 2010, também o boletim “Custos e Preços”,
divulgado mensalmente pela Confederação, relatava que em apenas uma região do
Brasil os preços recebidos pelos produtores de arroz e milho eram suficientes
para cobrir os custos de produção. A CNA usa estes números para ameaçar: “Que
não seja uma surpresa o não-pagamento aos bancos”, bradava a senadora Kátia
Abreu. Evidentemente, na época não demorou muito para a imprensa começar a
divulgar a renegociação das dívidas dos produtores rurais.
Porém, diante desses fatos, como
explicar os lucros dos grandes produtores de soja e milho, que vivem a ostentar
seu progresso? E como explicar, do outro lado, a situação precária em que vive
a maior parte dos agricultores familiares no Brasil?
Os lucros dos grandes produtores só
são possíveis devido ao tamanho das suas propriedades – trata-se de economia de
escala. As margens de lucro em geral são, de fato, muito estreitas. Mas, é
preciso observar que estes sistemas são extremamente vulneráveis e
frequentemente, ao invés de lucro, dão prejuízo. E sobrevivem graças aos
polpudos incentivos concedidos pelos governos, como, por exemplo, os repetidos
perdões de dívidas. A agricultura patronal recebe, em média, 20 vezes mais
recursos governamentais que a agricultura familiar.
Não se pode deixar de mencionar,
além disso, que os grandes produtores não assumem os custos ambientais e
sociais gerados pela agricultura patronal – as chamadas “externalidades
negativas”. Quem paga, na prática, pelas contaminações ambientais e
intoxicações provocadas por este modelo de produção é a sociedade. Os grandes
produtores rurais ignoram estes custos – e, por isso, fizeram de tudo para
alterarem de forma irresponsável o código florestal e manterem a
desregulamentação da comercialização de agrotóxicos no Brasil.
Nos últimos anos, porém, a sociedade
brasileira colocou para si o desafio do desenvolvimento econômico calcado na
sustentabilidade ambiental. Foi assim, quando as pesquisas de opinião mostraram
que 80% dos brasileiros rejeitavam as alterações do código florestal que
implicariam em prejuízos ambientais. Em sua grande maioria, o povo brasileiro
quer a promoção da agricultura familiar no campo brasileiro, quer a promoção de
formas ecológicas na produção de alimentos.
Mas para que a agricultura ecológica
possa de fato se desenvolver, se expandir e, quem sabe, tornar-se hegemônica no
Brasil serão necessárias profundas mudanças nas políticas agrícolas e agrárias
no Brasil. É bom lembrar que o agronegócio teve até hoje absolutamente todos os
incentivos que se pode imaginar: pesquisa agrícola, assistência técnica,
financiamentos, apoio à comercialização e os intermináveis perdões de dívidas.
A agricultura familiar, por outro
lado, sempre foi preterida em termos de incentivos governamentais. Na questão
da assistência técnica, por exemplo, o programa ATER do MDA – programa de
orientação básica a técnicas de produção –, não conseguiu se consolidar até hoje
por uma questão fundamental: faltam servidores. Todos os técnicos do MDA estão
com sua carga máxima de contratos para fiscalizar. Atualmente, há cerca de 50
contratos que estão assinados e não iniciam suas atividades porque não há
técnicos disponíveis para fiscalização. No INCRA, o programa de assistência
técnica sofrerá com o corte de 70% das verbas de custeio feitos este ano de
2012. Se a situação atual for mantida será inevitável redução dos serviços de
assistência técnica aos assentamentos da reforma agrária. Os contratos já
feitos poderão ser cancelados.
É preciso que haja uma grande
mudança de perspectiva na concepção e condução das políticas e programas
governamentais, para colocar o controle da malha fundiária nacional, a
agricultura familiar, a reforma agrária e a agroecologia no centro das
prioridades.
Contudo, as dificuldades do serviço
público nos órgãos de desenvolvimento agrário (INCRA e MDA) são históricas.
Aprofundaram-se ao longo do governo Lula e vem se agravando muito nos últimos meses.
Hoje os órgãos do Estado brasileiro, responsáveis pela questão agrária, não têm
nenhuma condição de promover o desenvolvimento agrário no Brasil preservando a
natureza, ou seja, não responde a uma questão básica discutida pela sociedade
civil nesse momento de realização da conferência “Rio + 20”:
A missão do INCRA e do MDA é,
principalmente, realizar a reforma agrária; promover o desenvolvimento
sustentável do segmento rural constituído pelos agricultores familiares;
identificar, reconhecer, delimitar, demarcar e titular as terras ocupadas pelos
remanescentes das comunidades quilombolas. Entre essas atribuições estão ainda
a fiscalização do cumprimento da função social dos imóveis rurais, além de
regularizar e ordenar a estrutura fundiária do País. Em síntese, os órgãos do
desenvolvimento agrário cuidam das atividades produtivas das 30 milhões de
pessoas que vivem da agricultura familiar no Brasil.
O INCRA, entre 1985 e 2011, teve o
seu quadro de pessoal reduzido de 9 mil para 5,7 mil servidores. Nesse mesmo
período, sua atuação territorial foi acrescida em 32,7 vezes – saltando de 61
para mais de dois mil municípios, um aumento de 124 vezes no número de projetos
de assentamentos assistidos. Até 1985, o INCRA geria 67 projetos de
assentamento. Hoje, este número supera os 8,7 mil e a área total assistida
passou de 9,8 milhões para 80,0 milhões de hectares – cerca de 10 porcento do
território nacional. O número de famílias assentadas atendidas pelo órgão
passou de 117 mil para aproximadamente um milhão, totalizando cerca 4 milhões
de pessoas. Ressalta-se ainda que o número de servidores está prestes a sofrer
novas reduções. Até 2014 outros dois mil funcionários do INCRA estarão em
condições de aposentadoria, aprofundando ainda mais o déficit de servidores no
órgão.
No MDA, por sua vez, foram
necessários 10 anos e um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) firmado com o
Ministério Público para que o órgão realiza-se o seu primeiro concurso público,
em 2009. Hoje, o número de efetivos no órgão é inferior a 140 servidores. Isso,
para todo o Brasil. Quantitativo irrisório para um órgão que tem como atuação
precípua o desenvolvimento econômico no campo brasileiro e o combate à pobreza
no meio rural – onde se localizam 50 porcento das famílias que vivem em extrema
pobreza no Brasil (ou 4 milhões de pessoas).
Por isso, no último dia 4 de junho
de 2012 os servidores dos órgãos agrários do país aprovaram durante o encontro
nacional da categoria um indicativo de greve para o dia 26 de junho de 2012.
Será a primeira greve unificada dos servidores do INCRA e MDA. Essa decisão
tomada representa um amadurecimento da compreensão dos servidores. Representa
também a constatação de que é necessário dar uma resposta contundente ao
descaso do governo com os órgão agrários que vem se alongando há muito tempo.
Até o momento o governo não apresentou nenhuma proposta às demandas dos
profissionais e muito menos para a reestruturação dos órgãos agrários, que
marcham para um desmanche estrutural. O governo não oferece condições materiais
e humanas para o pleno funcionamento desses órgãos, quando não responde à
necessidade de recomposição salarial de seus servidores e o aumento do quadro
de pessoal através de concursos públicos – apesar dessa demanda ser
reiteradamente apresentada em todas as tentativas de negociação realizadas.
Agindo assim, o governo impede o cumprimento da missão institucional dos órgãos
agrários do Brasil.
Nós, servidores públicos federais
lotados nos órgãos agrários do Brasil, acreditamos que a mudança necessária se iniciará
com uma questão básica: a salvação dos órgãos públicos responsáveis para o
atendimento das demandas do desenvolvimento agrário. É preciso que os
movimentos sociais e o povo brasileiro em geral – real beneficiário das
políticas públicas da nação –, se somem aos servidores na defesa da
estruturação do INCRA e do MDA, exigindo dos parlamentares e do governo
respostas claras e inequívocas.
Valorizar o
serviço público no MDA e no INCRA é valorizar o controle da malha fundiária
nacional, a agricultura familiar, a reforma agrária e o desenvolvimento rural
sustentável.
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